quarta-feira, 11 de julho de 2012

Igualdade


O pecado mora em qualquer lado! Raramento é justo. Mas pode sê-lo. Um Tribunal não orçamenta. O governo não julga. A igualdade é um pecado comumente invocado. E praticado. Desigual é o sector privado em relação ao sector público, sempre com prejuízo para o primeiro: contratos, vencimentos, cessão dos contratos, tudo é diferente. Invocar o princípio da igualdade para anular uma medida orçamental que, infelizmente, penaliza, os empregados do sector público - e nem todos - é um grande pecado. Oxalá que não fosse necessária essa nem outras medidas. Oxalá que o país tivesse dirigentes dignos, honestos e competentes. Querer que o sector privado também seja penalizado porque o púbico o foi, é um pecado mortal. A maior injustiça que há em Portugal consubstancia-se nisto: a massa salarial é sempre, a longo prazo, uma consequência da produtividade. Para além de questões organizativas, o sector público é o grande responsável pela produtividade miserável do país. Mas isso não se reflecte no vencimento dos funcionários públicos porque não estão sujeitos ao mercado. Reflecte-se nos vencimentos do sector privado. Numa palavra: o sector público é o grande responsável pelos vencimentos miseráveis do sector privado e, não estando os seus vencimentos sujeitos às leis do mercado, ganha muito acima do que é pago a este sector. É esta a (des)igualdade que deveria ser considerada. Uma só vez. Para variar.